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No cenário atual do Antropoceno, a concentração de CO2 atmosférico já ultrapassou os 420 ppm, com projeções que podem chegar a 700-900 ppm até o final do século. Para estudantes de agronomia e biologia, entender como as grandes culturas (soja, milho, trigo e arroz) respondem a esse aumento é crucial para prever a produtividade e a demanda hídrica global.
1. Resposta Estomática ao CO2 Elevado (eCO2)
A resposta primária das plantas ao aumento de CO2 é a redução da condutância estomática (gs).
Mecanismo Comportamental: Quando o interno CO2 interno (Ci) aumenta, as células-guarda sinalizam o fechamento parcial dos poros estomáticos. Isso ocorre para otimizar a relação entre ganho de carbono e perda de água.
Mecanismo Anatômico: Estudos em câmaras de topo aberto (OTC) e sistemas FACE (Free-Air CO2 Enrichment) mostram que plantas que se desenvolvem sob eCO2 frequentemente apresentam uma menor densidade estomática (número de estômatos por mm2), uma adaptação ontogênica para reduzir a perda hídrica.
2. Aumento da Eficiência do Uso da Água (EUA)
Com estômatos parcialmente fechados e maior disponibilidade de substrato para a enzima Rubisco, as plantas C3 (soja, trigo) experimentam um aumento na Eficiência Intrínseca do Uso da Água (iWUE).
iWUE = A / gs
Onde A é a taxa de assimilação líquida de CO2.
Em teoria, isso permitiria que as culturas produzissem mais biomassa com menos água. No entanto, aqui entra o Paradoxo da Transpiração.
3. O Paradoxo: Por que a Transpiração pode não diminuir?
Embora a transpiração por unidade de área foliar diminua sob eCO2, dois fatores podem anular esse ganho no campo:
Aumento do Índice de Área Foliar (IAF): O CO2 extra estimula o crescimento vegetativo. Plantas maiores têm mais folhas, o que pode aumentar a transpiração total do dossel, neutralizando a economia individual de cada folha.
Efeito do Déficit de Pressão de Vapor (VPD): As mudanças climáticas trazem temperaturas mais altas. O ar quente retém mais umidade, aumentando o VPD. Mesmo com estômatos mais fechados, a "força de sucção" da atmosfera torna-se tão intensa que a perda hídrica total pode acabar sendo superior à de um cenário de clima ameno.
4. Dinâmica C3 vs. C4 nas Mudanças Climáticas
A distinção metabólica é determinante para a resiliência:
Culturas C3 (Soja, Trigo, Arroz): São as maiores beneficiadas pela "fertilização por CO2", pois o aumento do gás reduz a fotorrespiração, aumentando a produtividade líquida em até 15-20%.
Culturas C4 (Milho, Cana-de-açúcar, Sorgo): Já possuem um mecanismo de concentração de CO2 nas células da bainha do feixe. Portanto, o eCO2 pouco afeta sua taxa fotossintética, mas elas ainda se beneficiam da redução da gs para economizar água em períodos de seca.
5. Impacto Agronômico: O Risco do Superaquecimento Foliar
Um detalhe técnico frequentemente ignorado é o resfriamento evaporativo. A transpiração consome energia (calor latente). Ao reduzir a gs sob eCO2, a planta perde sua capacidade de se resfriar.
Dado Prático: Em dias de ondas de calor, folhas sob eCO2 podem estar de 1°C a 3°C mais quentes que folhas em condições normais. Em culturas sensíveis, isso pode levar ao abortamento de flores e redução da viabilidade do pólen, mesmo que haja água disponível no solo.
Manejo Agronômico
Irrigação: O eCO2 pode reduzir a necessidade de irrigação em climas temperados, mas em climas tropicais, o aumento do VPD e da temperatura foliar pode exigir mais água para manter o resfriamento térmico.
Melhoramento de plantas: O foco atual está em selecionar cultivares que mantenham a estabilidade da membrana celular e a atividade da Rubisco mesmo sob as altas temperaturas foliares causadas pelo fechamento estomático.
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